No dia 17 de março de 2026, o Sindicato dos Bancários de Jacobina e Região somou forças ao Dia Nacional de Luta dos Funcionários do Bradesco, mobilização construída em todo o país contra o fechamento de agências, as demissões em massa, as metas abusivas e pela contratação de mais trabalhadores para garantir atendimento digno à população.
A manifestação denunciou uma contradição que tem se tornado cada vez mais evidente: enquanto o Bradesco amplia seus lucros, reduz postos de trabalho, enxuga a estrutura física e precariza o atendimento presencial. Segundo o material nacional da campanha, o banco registrou em 2025 lucro líquido de R$ 24,7 bilhões, com crescimento de 26%, ao mesmo tempo em que manteve o processo de cortes e reestruturação.
Os números escancaram o problema. De acordo com os dados divulgados na mobilização, o Bradesco eliminou 7,5 mil postos de trabalho em cinco anos, sendo 3.539 demissões desde março de 2024 e 1.923 vagas fechadas apenas em 2025. O resultado dessa política é conhecido por quem está na linha de frente: sobrecarga de trabalho, mais pressão por resultados, adoecimento e piora das condições laborais para os funcionários que permanecem no banco.
Para o Sindicato dos Bancários de Jacobina e Região, a luta em defesa do emprego bancário não interessa apenas à categoria. Trata-se também de uma pauta de interesse social. O fechamento de unidades e a redução do quadro funcional impactam diretamente os clientes, especialmente a população idosa, pessoas com menor familiaridade com canais digitais e moradores de cidades menores e regiões periféricas. O material da campanha aponta como consequências o aumento das filas, a maior dificuldade para resolver problemas e a redução do acesso a serviços bancários presenciais.
Outro ponto central da mobilização foi a crítica à substituição do atendimento humano por um modelo cada vez mais digitalizado. O banco, segundo o informativo, já possui mais de 19 milhões de clientes no varejo digital e reconhece que esse formato pode ter custo até 40 vezes menor do que o atendimento tradicional. O problema não está na tecnologia em si, mas na sua utilização como pretexto para cortar empregos, fechar agências e impor aos clientes um modelo excludente. Tecnologia pode ser ferramenta; não pode virar desculpa para desmontar o atendimento bancário.
O Sindicato reafirma que atendimento humano é essencial. Há demandas bancárias que exigem escuta, orientação técnica, confiança e diálogo direto — elementos que aplicativo nenhum resolve sozinho, apesar do marketing de modernização vendido pelos bancos. Em linguagem mais simples: não adianta o banco dizer que ficou “eficiente” se o cliente continua pagando tarifas altas e sai sem solução.
A atuação do dia 17 de março também teve o objetivo de dialogar com a sociedade sobre os efeitos concretos da política adotada pelo Bradesco. Defender a manutenção dos empregos, exigir mais contratações e combater metas abusivas significa proteger não apenas os bancários e bancárias, mas também a qualidade do serviço prestado à população. Nossa posição é clara:
chega de demissões; chega de fechamento de agências; chega de metas abusivas.

